O mundo todo está discutindo o que será da educação em engenharia de software. Saiu um texto legal na Communications of ACM, uma revista mais técnica da ACM, escrita por acadêmicos, com o título “Computing ed when writing code is no longer the challenge”, em português, “Educação em computação quando escrever código não é mais o desafio”.

De acordo com os autores, a IA generativa exige uma mudança importante na forma como ensinamos computação. Três pontos me chamaram a atenção:

  1. Escrever código não é mais o principal desafio. O foco começa a migrar para especificar problemas, projetar soluções e compreender, avaliar e validar o código produzido pela IA.

  2. Proibir IA não resolve. Precisamos ensinar os alunos a utilizá-la de maneira efetiva, crítica e ética — e repensar objetivos de aprendizagem e avaliações para esse novo contexto.

  3. Com sistemas agênticos, o papel humano muda ainda mais. Se a IA também consegue decompor problemas, planejar e implementar soluções, competências como supervisionar o agente, avaliar e auditar a sua produção, e definir restrições para que o agente opere cada vez mais de forma independente ganham força.

Gosto muito de ler a opinião de professores de universidades sobre educação em computação, pois eles estão recebendo centenas de novos alunos todo semestre, e precisam não só acompanhar a evolução tecnológica mas também a mudança geracional. Já fui um e sei o quão intenso (e maravilhoso!) é. É um ótimo texto e vale a leitura. Aqui compartilho um resumo dos pontos que me chamaram a atenção.

Meus dois centavos: tanto a indústria quanto a academia já entenderam que escrever código não é mais o desafio principal e o que o papel do dev vai mudar. Falo sobre isso quase que diariamente aqui.

Do ponto de vista de educação, a pergunta ainda em aberto pra mim é sobre o quanto de IA o aluno deve usar enquanto aprende. Não usar IA não faz sentido, a IA veio pra ficar. Mas usar IA pra 100% também pode fazer com que ele não aprenda de verdade. Não tenho resposta, só dúvidas por enquanto.

Referências